Foram 10 meses o espaço entre o sonho e a realização, no dia 08 de junho eu dava início em Gobi na China a uma jornada muito difícil e incerta. Fui para China pensando se eu completar esse grande deserto seria um grande sonho que realizaria, mas quando cruzei a linha de chegada pensei quero os 4 desertos eu consigo.

A crocs acreditou em meu trabalho e eu me preparei para correr em outubro o deserto mais quente o Sahara no Egito, lá juntamente com outro brasileiro o Rodrigo completei com um tempo bem melhor que Gobi e logo em seguida estava indo para o deserto mais frio a Antártida Pólo Sul, mesmo com uma viagem extrema cheia de riscos em um mar cheio de gelo. Eu consegui cumprir e superar o frio exaustivo da Antártida.

Voltei da Antártida com uma contratura na no músculo adutor da coxa esquerda. Tinha então 3 meses para me preparar para o último deserto o Atacama o mais seco e alto do planeta, fiz uma parceria com a clinica do Dr.Joaquim Grava que me reservou piscina com a fisioterapeuta Yoli e trabalho de fortalecimento com o prof. Paulão na unifesp fiz meus exames necessários  para ir com  mais segurança  para o Chile.

No dia 25 de março cheguei a São Pedro do Atacama cidade encravada no deserto do Atacama com pouco mais de 1600 pessoas morando, e muitos estrangeiros em busca de paz e encontro com a natureza.

Fiz um treino de 10 km e senti logo de cara que não seria fácil pois o ar era realmente seco e nos limitava em termos fisiológicos, no dia 27 chegou todos atletas médicos, imprensa. Foram feitas as checagens médicas, e de equipamento e dia 28 de março partimos para o primeiro acampamento a 3500 metros de altura no deserto.A temperatura a noite era muito fria cerca de 4 graus negativos, e no dia 40 graus positivos.

No dia 29 de março  finalmente foi dada a largada da prova e logo na primeira hora enfrentamos um paredão que tivemos que escalar um a um o ar estava muito limitado e meu corpo já sentiu muito logo os efeitos da altitude, tive enjôo e fraqueza nas pernas. Todo o meu treinamento parece que não tinha dado o resultado que eu queria, mudei de estratégia e passei a pensar que deveria segurar meu ritmo e reservar energia para o dia longo. Nas 4 primeiras etapas sofri muito pois estávamos subindo e descendo montanhas a cada hora, o solo mudava constantemente, passando de pedras, sal com barro, depois água gelada, dunas e novamente sal .Cheguei a pensar que talvez não conseguisse chegar, pois meu corpo ficava a cada dia mais exausto e fraco.

Na quinta etapa a mais longa, saímos de uma enorme sala onde levamos cerca de 4 horas para cruzar e o sol forte batendo no chão e refletindo em nossa pele fazia com que perdêssemos água do corpo mais rápido, então eu não deixei de me hidratar um só minuto.  Nessa etapa de 73km subimos dunas enormes, cruzamos grandes planícies com pedras e sal e entramos rios gelados além de escalar algumas rochas mais íngremes. Tinha colocado como  meta completar essa etapa em até 24 horas e quando foi 11 horas da noite e eu cheguei ao ultimo ponto de controle, só faltavam 9km para chegar ao acampamento. Fiquei muito animado e segui juntamente com um atleta chileno e uma italiana,  coloquei mais uma meta de chegar até as 3 horas, mas começamos a subir mais uma grande cordilheira e depois começamos a descer uma enorme dunas e chegar no vale da lua onde serpenteamos entre montanhas em uma caminhada sem fim, após ter rodado por 2 horas encontramos um paredão com dois staffs, que nos disseram que teríamos que descer rapel, cerca de 150 metros no escuro. Eles disseram só faltam 2 km , mas era bem mais. Após descermos o paredão, entramos em uma gruta e cruzamos o outro lado da montanha e após mais uma hora e meio finalmente chegamos ao acampamento. Ali fiquei muito aliviado e feliz pois faltava uma etapa de 10km .

No dia 04 de abril levantei com atletas me dando boa sorte e parabéns, os médicos tirando fotos dos meus pés, a tv alemã filmando e perguntado por que eu não tinha bolhas. As Crocs foram fantásticas pois o solo do Atacama é o mais extremo de todos os desertos.

Os atletas começaram a assinar minha calça deixando frases de incentivo, quando fui para a largada mesmo cansado corri muito e fiz em 2 horas todo o trecho de montanhas. Quando entrei em São Pedro do Atacama com a bandeira do Brasil e com a foto do meu filho, vi as pessoas gritarem Brasil Carlos Brasil. Cheguei a uma praça principal da cidade onde estava lotada, e a emoção tomou conta de mim recebi abraços e um filme se passou em minha mente foram 10 meses para conseguir estar ali. eu conseguia a 4 medalha.

A noite teve um jantar para a premiação e ali a organização oficialmente anunciou que eu era o primeiro atleta sul americano a correr os 4 desertos e melhor em 10 meses. todos se levantaram e aplaudiram e gritavam Carlos Dias ou crocs man.

Eu tenho que agradecer a Crocs e toda sua equipe,a clinica do Dr. Joaquim Grava, a Unifesp, minha mae,meu filho,ao meu treinador Herói Fung  e a todos que me enviaram mensagens diariamente nos desertos.

Acredito que por mais difícil que seja um sonho temos que buscá-lo incansavelmente pois no final tudo vale a pena.

Tenho comigo 4 medalhas pesadas que me deixam leve e com  mais vontade de buscar novos desafios, obrigado.

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antarctica-0955É bom voltar para casa depois de uma grande busca, a busca de uma medalha que muitas vezes parecia não querer vir comigo, foram quase 15 dias entre ir e voltar, eu era o único atleta que nunca tinha entrado no gelo, ainda tinha a questão do clima que nos fez sentir sensações variadas, depois de sentir o corpo ficar super fraco e até pensar em parar, eu me mantive firme até pegar a tão desejada medalha na mão, ao chegar dei um forte abraço em minha mãe e no meu filho.

Eu tive a honra de ouvir da organização da prova que eu sou o primeiro sul americano a correr a Antártida, isso é algo que gostaria de compartilhar com todos os atletas brasileiros, argentinos, chilenos, uruguaios enfim toda a América do sul.

Também gostaria de agradecer as mensagens enviadas durante toda a prova.
Agradeço a Crocs, pois hoje a parte mais difícil para um atleta é conseguir chegar ao local da competição por falta de patrocínio e a Crocs apostou em meu trabalho.

Agora falta uma medalha para completar os 4 desertos, vou me preparar para em março de 2009 correr o deserto do Atacama, mas antes gostaria de fazer um desafio para arrecadar dinheiro para comprar uma cadeira elétrica para um garoto de São Domingos do Araguaia que não pode andar, me sinto com a responsabilidade de ajudar ele a melhorar sua qualidade de vida.

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cimg9858A minha sensação agora e de muito alivio por ter cumprido essa duríssima prova. Tivemos que enfrentar temperaturas abaixo de zero, neve muito alta que nos forçava a parar para sair dos buracos, subidas das montanhas cheias de neve, que nos forçava a parar para equilibrar a respiração e a umidade do ar. Tudo 100 %, causando uma exaustão quase que incontrolável. A mente sendo pega de surpresa por tantas dificuldades de avançar. Sim essa foi a mais duras das provas. Pensei que não iria conseguir correr mais. Meu corpo ficou muito fraco e nunca senti sensação igual.

Deveríamos correr a quinta e sexta etapa em uma ilha que forçou o navio se deslocar por 12 horas, mas o mar não deu trégua, com ventos acima dos 100 km por hora e  ondas de 10 metros de altura. Fez com que o navio parecesse um pequeno barco, onde balançou de um lado para outro com extrema  forca. Durante toda noite e todo o dia, eu vomitei muito com isso e as etapas cinco e seis foram canceladas. Seria impossível entrarmos no bote  cruzar ate a ilha.

A etapa antártica teve poucos quilômetros, mas os piores e mais duros que um atleta pode ter enfrentado. Até os atletas de países como Rússia, Estados Unidos e Inglaterra que estão acostumados com o frio, sentiram o clima da antártica que não se parece com outro lugar no mundo.

Estou muito emocionado em ter conseguido alcançar meu objetivo aqui e tenho que agradecer as mensagens do Ratinho, Vanessa, Douglas, minha Mãe e irmãs, Taisa, Pablo e Rodrigo. Vocês me animaram a seguir sempre. Meu filho Vinicius que esteve a cada minuto em meu pensamento me dando mais alegria

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Hoje estou muito feliz de saber que consegui resistir ao gelo da antártica. Essa foi à prova mais difícil que enfrentei na minha trajetória em corridas meu corpo ficou em frangalhos. Fiquei sem raciocínio muitas vezes minhas pernas bambearam e meu coração parecia saltar pela boca de tanto esforço. O frio que entrava pela boca cortava meus pulmões, fazendo o desgaste  ainda maior.

Agora estamos retornando a ushuaia serão três dias de viagem. Estou vomitando muito, por causa da grande agitação marinha que faz o navio balançar  dia e noite, isso me deixa acabado. Por causa da agitação do mar, as duas etapas da corrida foram canceladas por segurança e por isso foi declarado o final da corrida. Ontem fui aplaudido pela minha participação na prova e minha persistencia diaria.

Agradeço toda torcida e todo carinho que recebi, estarei voltando com a tão desejada medalha.
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Hoje já passamos pela quarta etapa, que para mim foi muito difícil, estou lutando para resistir ate o final da prova, essa e uma prova muito diferente das provas que já fiz em toda minha vida, estão tendo que reunir muita forca para continuar acreditando que posso voltar com a medalha no peito.

Hoje durante a noite o navio sacudiu muito, fazendo com que eu voltasse a vomitar muito. Passei a noite inteira acordado com enjôo, não consegui tomar café da manha e o medico me deu um  remédio para enjôo para eu poder almoçar. Comi um pouco e estou fraco, agora estamos aguardando o mar ficar menos agitado para entrar no botes e chegar à ilha onde será a quinta etapa.

Espero estar melhor para continuar sonhando em terminar  essa etapa que será a mais desafiante deveu ficar por 5 horas na neve. Mais uma vez agradeço as mensagens e por ser o primeiro brasileiro a correr na antártica é uma grande honra e responsabilidade. Todos  aqui estão torcendo para que eu resista às condições extremas do clima da antártica.

O frio não esta sendo meu grande problema, pois a roupa e a bota que a Crocs me forneceu esta sendo muito eficiente, mas a neve fofa me afunda, deixando exausto e não consigo correr, alem de cair bastante, pois forca as articulações do tornozelo. Também minha respiração fica comprometida, pois o ar frio passa pela garganta e queima, estou me sentindo muito fraco fisicamente, mas com uma vontade  tremenda de buscar a medalha.

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