O ultramaratonista que calça sandálias

 Por Bruno Vicari em 4 de dezembro de 2009 (sexta-feira)    O ultramaratonista Carlos Dias acaba de realizar mais um de seus feitos incríveis. Aos 36 anos, o atleta de São Bernardo do Campo, atravessou os EUA de Nova York a São Francisco correndo – totalizando 5130km percorridos em 59 dias. Carlos correu cerca de 80km por dia, acompanhado pelo ciclista paraibano Francisco Antônio da Silva, de 38 anos. Antes de cruzar os EUA, Carlos Dias correu do Oiapoque ao Chuí (9mil km em 100 dias), percorrendo o Brasil de norte a sul, em 2007. Com tanta experiência ele me contou que a principal diferença entre os dois países está na forma de como americanos e brasileiros o trataram durante seus desafios. Ele também revelou algo incrível: faz todas as sua ultramaratonas e desafios calçando aquela sandália Crocs. Isso mesmo! nada de tênis no pé. Não acredita? Então ouça: .Carlos Dias • Ultramaratonista www.jovempan.uol.com.br/pedaladas

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[Ultramaratona] Encontro de grandes feras na II Ultra 24h 30 DE NOV DE 2009, 03:11 CORREDORES A Escola Naval do Rio de Janeiro foi palco de um encontro de grandes nomes da maratona e da ultramaraotna no Brasil. Às 10h da manhã desse sábado, um tiro de canhão deu a largada da II Ultramaratona 24h dos Fuzileiros Navais, que impõe aos participantes o desafio de correr durante 24 horas! E o desafio ainda contava com algumas cartas na manga. Às 14h, o termômetro marcava 38 graus, período que mais castigou os atletas. Nem a brisa vinda da Baía de Guanabara conseguiu aliviou o forte calor. Preparados para isso, a organização montou uma estrutura na histórica Ilha de Villegainon que contava com mais de 250 pessoas, entre apoio e pessoal técnico. Os atletas tinham também à disposição postos de fisioterapia, alimentação, piscina de gelo, bebida, esponja com água e uma área exclusiva de descanso, com cama e ar condicionando. Na “área da família” ficavam as tendas de apoio e barracas onde os familiares acampavam, já que a prova entrava pela noite. “Ano passado foram 50 atletas. Esse ano, mais que triplicamos o número de inscritos. Abrimos inicialmente 120 vagas, mas a procura foi grande e tivemos que aumentar pra 160 atletas. Isso mostra que a prova já está fazendo parte do calendário das ultramaratonas no Brasil”, explicou a Tenente Raquel Lopes, assessora de imprensa do Corpo de Fuzileiros Navais. Ultramaratonistas de peso estiveram presentes no evento, como Carlos Dias, que é o único brasileiro a conquistar os quatro desertos correndo (Gobi, Atacama, Saara e Antártida). Dias contou que, apesar do cansaço por ter acabado de atravessar os EUA correndo, fez questão de estar presente: “ É bom estar com o pessoal correndo. É como uma família”. A Corpore organizou a II Ultra 24h e aproveitou a oportunidade para lançar um chip de cronometragem inovador, com maior confiabilidade e precisão. Para quem ainda não conhece a dinâmica da prova, explico que ela é disputada, em sua totalidade, na raia olímpica de 400 metros e a cada duas horas um sino é tocado, indicando que os atletas devem mudar o sentido de anti-horário pra horário, e vice-versa. Como havia anunciado aqui na semana passada, Jorge Cerqueira esteve presente na ultra e completou 372 voltas, cravando 152,8K e conquistando a terceira colocação em sua categoria. “A prova foi emocionante, corri de três em três horas, intercalando com massagem. De manhã, corri forte, mas de tarde diminuí por causa do sol forte na cabeça. Ano que vem quero fazer 200K”, definiu o emocionado Jorge, ao lado de sua filha. No TwittersRunDay, dia em que o pessoal do Twitter correu e somou as suas distâncias, Jorge foi o corredor que correu a maior quilometragem, entre todos os participantes. Tá aí uma grande promessa pra ultramaratona no Brasil. O professor Branca, da Branca Esportes, era outro grande nome da ultramaratona na prova. Desde a disputa do Desafio dos 600K, há pouco mais de um mês, Branca ainda não parou. Na semana passada ele correu a Maratona de Curitiba e escolheu a Ultra 24h pra terminar o ano com chave de ouro, explicou sua esposa Érika Fujyama, que também esteve nos 600K e foi personagem de uma bonita história contada aqui no blog. RECORDES A atleta Denise Campos quebrou o recorde brasileiro feminino de provas de 24h, estabelecendo a nova marca de 224,4 km, em um total de 561 voltas. Vanderlei Santos sagrou-se bicampeão batendo o recorde da prova. Ele atingiu 232,8 km em 582 voltas. Luciana Ratinho, 65 anos, foi um exemplo de superação e saúde, atingindo 115,5 km, com 262 voltas. III ULTRA 24H A organização prometeu mudar a estrutura em 2010, de forma a aumentar o número de atletas. “Ano que vem vamos abrir inscrição pra quem quiser vir”, explicou o Almirante Monteiro. Boa notícia. Quem gostou do desafio já pode começar a treinar! Escrito por: Bruno Reis, Nike Blogger

30/11/09 – 10h28

Maratonista brasileiro repete Forrest Gump e cruza os EUA correndo

Carlos Dias foi de Nova York a San Francisco em 59 dias.
Ele correu 5.130 km para ajudar hospital para crianças com câncer.

Daniel Buarque Do G1, em São Paulo

  

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O ultramaratonista brasileiro Carlos Dias, que percorreu 5.130 km de um canto ao outro dos EUA (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Corra, Carlos! Corra!

Carlos Dias está longe de ter o raciocínio lento, mas seu ritmo e seu fôlego nas pistas com certeza lembram o já clássico personagem-título do filme “Forrest Gump”, interpretado por Tom Hanks. A certa altura do filme, Forrest decide começar a correr sem parar e cruza mais de 5 mil quilômetros de um canto ao outro dos Estados Unidos assim, correndo.

Dias é autor de uma façanha parecida: em menos de dois meses, Dias foi de Nova York à Califórnia, percorrendo 5.130 quilômetros no total, uma média de 84 quilômetros por dia a uma velocidade máxima de 10 km/h para controlar o ritmo, chegando a passar 20 horas sem parar correndo. Foram 59 dias até completar a rota no início deste mês. “Chegamos um dia antes do programado”, contou ao G1.

“As pessoas me lembram do filme a cada minuto. A diferença é que no filme ele não tinha sentido naquilo que fazia, eu tinha um sentido de completar o percurso e de ajudar uma instituição de apoio a crianças com câncer”, disse. Para a empreitada, ele pôs à venda suas milhas, oferecendo parte do arrecadado para o Graac. “Vendemos poucas, mas conseguimos pelo menos puxar um pouco de repercussão, chamando a atenção para o Graac. A intenção era gerar benefícios para outras pessoas, e não buscar nada para mim. Hoje minha sensação é de dever cumprido.” 

 

 

Formado em administração, Dias conta que já corre provas de longa distância há 16 anos, já completou mais de 74 maratonas e fez travessias, como em 2007, quando foi do Oiapoque ao Chuí, extremos norte e sul do Brasil, em 100 dias, batendo o recorde. Morador de São Bernardo do Campo, ele hoje vive de realizar provas, dar palestras e organizar corridas, parecendo buscar desafios diferentes de cada vez. “Foi a primeira vez que essa rota de uma ponta a outra dos EUA foi feita por um ultramaratonista”, disse. 

 

No filme, Forrest Gump corre por três anos, dois meses, 14 dias e 16 horas – se seguisse o mesmo ritmo de Dias, teria feito 20 vezes o percurso de um canto ao outro do país.

 
De Leste a Oeste
O planejamento do percurso era detalhado e incluiu bateria de exames e treinamento. Toda a rota já estava traçada desde o começo e previa seguir sempre pela rodovia 80. No segundo dia correndo, entretanto, a polícia disse que eles não podiam seguir por ali, a não ser de carro. “Eles nos orientaram e seguimos pelas estradas paralelas da 80. Só no colorado que precisamos dar uma variada por causa das montanhas.” 

 

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Carlos Dias, após completar a prova que percorreu os EUA (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

A maior dificuldade enfrentada foi a mudança do clima, que é constante. “Deixamos Nova York com muito calor, pegamos chuva na Pensilvânia, vento no Nebraska, neve no Colorado, calor no deserto, mais neve em Nevada e mais calor na Califórnia. Administrar isso, a roupa certa no momento certo para melhorar o desempenho, é bem difícil”, contou.

 

Foto: Divulgação Foto: Divulgação

O personagem Forrest Gump, em imagem do filme que leva seu nome (Foto: Divulgação)

Encontrar um lugar para dormir, depois da mudança da rota, era um desafio diário, mas também fonte de algumas das experiências que o maratonista considera das mais interessantes. “As pessoas foram entrando no nosso projeto, nos recebendo na casa deles, fomos fazendo amigos, ganhando novas famílias por todo o trajeto até chegar na Califórnia. Viajei achando que o norte-americano era frio e nada solidário, mas vi o oposto, pois eles nos ajudavam. Tivemos só coisas boas. Tinha gente que parava na estrada e convidava para ir à cada deles. Isso foi a coisa mais legal, e foi bem diferente do que há no Brasil.”

Dias afirma que não chegou a pensar em desistir em momento algum, mas logo no início, depois de entrar em Indiana, estava muito cansado e achava que não conseguiria completar a prova dentro do cronograma programado. “É preciso ser paciente o tempo todo, mesmo cansado física e mentalmente. Tentava controlar a ansiedade.”

A concentração era muito grande e ele terminava exausto no final do dia. “Não dava para conhecer as cidades nem nada, mas dava para conhecer pessoas, conversar, melhorar o inglês. Hoje eu conheço os EUA mais de que muitos americanos, pois passamos por mais de 700 cidades, percebemos as mudanças culturais, as paisagens, as comidas, tudo o que muita gente não conhece.”

Dias agora vai fazer treinamento para novas provas a partir de abril, quando pretende correr quatro desertos: na Austrália, depois Nepal, Namíbia e Vietnã. “No segundo semestre quero correr uma maratona por dia por seis meses, girando o Brasil, saindo do Rio de Janeiro e finalizando em São Paulo.” Como o personagem do cinema, ele também não para depois de chegar no ponto final da prova corrida.